Um dos aspectos característicos de oralidade é a co-presença física dos interlocutores no ato comunicativo. Essa relação face-a-face, além de tornar a comunicação mais envolvente, possibilita solução imediata dos problemas que vão surgindo. Permite que as atividades desenvolvidas sejam decisões conjuntas ensejando um projeto comunicativo com maior espontaneidade. Tanto isso é verdade, que se tornou comum a idéia de que uma das diferenças centrais entre a língua falada e a língua escrita é um maior envolvimento, na fala, e um certo distanciamento, na escrita.
Contudo se a co-presença física é natural para muitos casos da comunicação oral, não vale universalmente para todo tipo de comunicação oral. Prova disso é essa obra de Antonio Carlos Xavier, que se dedica precisamente ao estudo de um meio de comunicação – o rádio – que vive essencialmente da interação verbal, mas quase nunca reúne os interlocutores no mesmo espaço físico. O rádio é um meio cuja característica central é o distanciamento físico dos interlocutores. O comunicador radiofônico dirige-se a um ouvinte ligado a um aparelho eletrônico. O desafio de Xavier está precisamente nesta questão central: como age ou deveria agir o comunicador radiofônico para cativar seu ouvinte sem estar face-a-face com ele? Quais as experiências da comunicação diária devem ser simuladas para que a interação tenha sucesso?
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